foi adicionado com sucesso ao carrinho

Os ex-jogadores estão de volta com a chegada de vários ex-número 1 do mundo para ajudar os melhores tenistas atuais: Djokovic chamou Boris Becker, Federer chamou Stefan Edberg, Marin Cilic com Goran Ivanisevic ou ainda Nishikori com Michael Chang. Sorte ou simples coincidência? Andy Murray, por exemplo, chamou Ivan Lendl bem antes do que os outros para conseguir parar com o azar das finais perdidas do Grande Slam e finalmente vencer US Open, Wimbledon e a medalha de ouro nas Olimpíadas.

O interessante desses casos é refletir sobre o que faz um ex-jogador profissional se tornar um bom treinador. Como utilizar a experiência para poder ensinar?

1) As experiências do ex-tenista profissional como treinador

O ex-jogador pode ser considerado um especialista em sua modalidade sem precisar de nenhum diploma. O que ele conheceu no topo do alto rendimento é o que os outros treinadores aprenderam nos livros. Ele tem a experiência do “feeling”, das soluções para conseguir as conquistas. A experiência do ex-tenista pode trazer histórias, imagens, anedotas que nenhum treinador vai conseguir contar. É isso o que provavelmente buscam os tenistas ao convidarem as lendas do tênis para treinarem com eles. Richard Gasquet comentou, ao escolher o Sergi Bruguera como treinador: “Esses jogadores sabem o espírito que é necessário para vencer uma final. Eles conhecem essa situação, eles compreendem melhor algumas decisões na quadra no momento de pressão, o que é mais complicado para quem nunca vivenciou isso.” Também os momentos “baixos” do caminho do atleta profissional já foram vivenciados e são conhecidos pelos ex-campeões. Com essa “bagagem” eles podem ajudar o atleta a lidar melhor com esses períodos.

O que procura o jogador profissional com o ex-campeão não é a técnica, não é a formação do jogador de A a Z para fazê-lo progredir. Federer fala de uma “inspiração”, Djokovic fala dos “aspectos mentais”. Becker comenta a respeito: “Eu alcancei dez finais e eu sei exatamente o que sente o jogador durante os últimos capítulos de um torneio.” O que procuram os tenistas profissionais? O orgulho de ter um ex-campeão interessado neles? Precisam de uma pessoa com quem conversar de “igual para igual” e assim terem a crença de que alguém que conseguiu antes poderá ajudar?

 

2) Os desafios do ex-tenista profissional para ser um bom treinador

O ex-profissional não se torna necessariamente um bom treinador. A experiência pode se tornar também um peso. Um dos erros mais prováveis é o treinador querer repetir o que fez quando era atleta e querer aplicar uma “receita” com o jogador. Não é por que eles conseguiram o alto rendimento ao seguir um determinado caminho que este caminho é o mesmo para todo e qualquer jogador. O que os levará ao topo é mais a combinação entre suas histórias e personalidades e o encontro em si. Para isso, o treinador precisa conseguir se distanciar da sua experiência, analisá-la e transformá-la para que seja útil ao atleta. Ser treinador não é repetir sua própria experiência, pois as necessidades do jogador não são necessariamente as do treinador.

Depois de se tornar treinador, é necessário aceitar ser apenas um suporte do sucesso, e não querer ocupar o papel principal. Assim, o treinador e o jogador profissional colherão bons frutos.

Laurent Philippe

Autor Laurent Philippe

Mais posts por Laurent Philippe