foi adicionado com sucesso ao carrinho

“Só aprendemos quando temos necessidade” Jean Piaget

 

O tênis é um esporte que requer do praticante uma capacidade extraordinária para solucionar os problemas que se apresentam a todo o momento. Por se tratar de um jogo de características imprevisíveis e no qual o tempo exerce forte pressão, as alternativas para resolver as situações emergenciais são variadas. Mesmo alguns jogadores profissionais podem apresentar uma técnica não convencional em termos de execução que, no entanto, apresentam bons resultados, cumprindo com propriedade as necessidades do jogo. Difícil não vir à mente o saque tesoura do Boris Becker, o forehand e o backhand com duas mãos de Fabrice Santoro, Marion Bartoli e Monica Selles, o forehand exclusivamente de slice da Monica Niculescu, o backhand com empunhadura western de Jim Courier, o saque de costas para a quadra de John McEnroe, os golpes de fundo com swing curtíssimos do Dolgopolov, o forehand com preparação invertida de Marc Rosset ou mesmo o forehand caindo para trás do Guga.

 

Fonte da imagem: https://tennis.newssurge.com/tennis-pics/v/forehand/fabrice+santoro+two+handed+forehand+at+contact.jpg.html

 

Neste post, vamos falar sobre a estética e a técnica no tênis – o quanto vale a pena focar em golpes bonitos? Será que não é melhor deixar o tênis mais funcional do que, simplesmente, “lindo”? Seria a beleza do golpe uma consequência do aperfeiçoamento da técnica?

1) Não se vence pela estética do golpe

O jogo de tênis não é como uma prova de ginástica artística, onde existe o julgamento da execução do movimento por meio de uma banca examinadora que determina o resultado. O que rege o sucesso é o resultado do golpe. O jogador deve buscar os domínios técnicos como controle, altura, direção, profundidade e efeito. A técnica é a ferramenta utilizada para resolver os problemas do jogo, e é personalizada: não existem dois jogadores idênticos, portanto sempre haverá diferenças.

2) A importância de uma técnica limpa

Fonte da imagem: https://br.freepik.com/fotos-gratis/esporte-de-estilo-de-vida-do-jogador-de-esportes-saudavel_1151174.htm

 

Embora o que realmente vale é cumprir com os aspectos operacionais do jogo, (manter a bola por cima da rede, respeitar os limites geométricos da quadra e não deixar a bola quicar 2 vezes), um gesto mecanicamente melhor executável oferece melhores opções táticas, com menor gasto de energia e atenuando as chances de lesão, uma vez que no tênis empregamos esforços repetitivos para cumprir com as exigências do jogo.

3) Gama de aceitação

É necessário avaliar a funcionalidade técnica do jogador e observar se uma mecânica incomum irá prejudicar o rendimento do aluno ou se simplesmente faz parte do estilo individual e está dentro de uma margem de aceitação. Uma boa técnica é fundamental para jogar melhor, e não para  “aparecer bonito na foto”. Muitos problemas mecânicos surgem em decorrência da falta da cobrança de critérios estabelecidos pelo programa de treinamento. Saber a cronologia de aprendizagem pelas quais passam os jogadores é necessário para compreender que uma técnica mais simples pode ser empregada no início da aprendizagem, quando a dinâmica do jogo é menos complexa. Com o passar do tempo, porém, as exigências do jogo aumentam e se torna necessário progredir de uma técnica elementar para uma técnica mais sofisticada e eficiente.

Exemplo: um jogador iniciante que saca utilizando empunhadura eastern de forehand com a bola vermelha talvez não tenha tanto êxito quando partir para o jogo formal e necessitar da precisão e dos efeitos que só a empunhadura continental pode proporcionar. Desta maneira, deve haver um amadurecimento da técnica a partir do contexto do jogo.

Denis Santos

Autor Denis Santos

Mais posts por Denis Santos